The Project Gutenberg EBook of Apontamentos para a Biographia do Cidado
Jos da Silva Passos, by Manuel Joaquim Pereira da Silva

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Title: Apontamentos para a Biographia do Cidado Jos da Silva Passos

Author: Manuel Joaquim Pereira da Silva

Release Date: December 30, 2009 [EBook #30806]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

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                               APONTAMENTOS

                                  PARA  A

                                 BIOGRAPHIA

                                 DO CIDADO

                            JOS DA SILVA PASSOS.

                                    POR

                      O SEU AMIGO PARTICULAR E POLITICO

                            _Alg. Sidney C. R. C._




                                   PORTO:

                      NA TYPOGHAPHIA DE S. J. PEREIRA,

                      _Praa de Santa Theresa n. 28._

                                   1848.




APONTAMENTOS

PARA A

BIOGRAPHIA DO CIDADO

_Jos da Silva Passos._




CAPITULO I.


O Opusculo==_Os dois dias d'Outubro, ou a historia da prerogativa, por
D. Joo d'Azevedo_==contm tantas inexactides cerca da resistencia
nesta heroica cidade, comeada no dia 9 d'Outubro de 1846, e da guerra
civil terminada pela conveno de Gramido de 29 de Junho de 1817, que
para restabelecer a verdade dos factos, e supprir as muitas lacunas, que
naquelle folheto ha, faz-se mister, que algum escriptor patriota se
apresse a escrever a historia circumstanciada e verdadeira daquella to
notavel revoluo.

No vamos to longe como muitos Portuenses de todas as cres politicas,
os quaes consideram o escripto do Snr. D. Joo como um romance. Alguma
cousa se poder delle aproveitar para a historia, ainda que no seja
seno a maneira como elle viu e observou as cousas publicas.

Apesar de ter estudado a fundo o caracter de cada um dos membros que
formaram a Junta Provisoria do Governo Supremo do Reino em nome da Nao
e da Rainha, foi o habil escriptor to infeliz, que, depois, da
inexactissima relao dos acontecimentos do dia e noite de 9 d'Outubro
de 1846, nada tem, pela parcialidade, dissemelhana, e exagerao,
desagradado tanto, como o juizo contido no capitulo 2. a respeito de
cada um dos seis cavalheiros que serviram a causa da liberdade do paiz
naquella melindrosa crise.

Resolvemos-nos por isso a colligir esclarecimentos biographicos dos
membros da Junta do Porto, para habilitar os que emprehenderem escrever
a historia della, a poder com conhecimento de causa distribuir a
responsabilidade dos acontecimentos e dos actos governativos. Comeamos
a publicar os relativos ao Snr. Jos da Silva Passos, no s porque foi
elle o primeiro author do feito de 9 d'Outubro de 1846, mas porque 
aquelle a quem o Snr. D. Joo mostra melhor vontade.

Seria grande hypocrisia em ns, se no declarassemos que temos relaes
d'amizade e fraternidade politica com o Snr. Jos Passos, e que
pertencemos quella seco do partido progressista, que reconhece por
seu chefe o Snr. Passos Manoel, nosso Gro Mestre-politico. Nosso
intento  todavia narrar com sevra imparcialidade, e verdade, os
acontecimentos que observamos,--e ao publico apresentarmos um juizo
recto do proceder e servios dos homens que em Outubro de 1846 foram
encarregados da nobre misso de fazer triumphar a causa da liberdade
Portugueza, e promover a felicidade deste povo to virtuoso.

No somos litterato, nem escriptor publico.  a primeira vez que
atiramos  imprensa com o que escrevemos. Se contra a nossa expectao
houverem alguns, que julguem que os acontecimentos no so em nosso
escripto relatados com escrupulo, exactido, e verdade; e se os retratos
no forem parecidos, no vir d'ahi grande mal; porque tero esses s
mais outro romance para encadernar com o discurso na camara dos pares,
proferido pelo Snr. Duque da Terceira, e com a historia dos dois dias do
Snr. D. Joo d'Azevedo.

A nossa amizade para com o Snr. Passos Jos, apesar de mui antiga, no 
to extremosa como a do Snr. D. Joo d'Azevedo. Este abalisado escriptor
politico mostra to grande interesse pelo Snr. Jos Passos, que para
attenuar a responsabilidade legal e moral, que lhe cabe como primario
motor da revoluo de 9 d'Outubro de 1846, inventa, que o Snr. Passos
Jos ficra _surprezo_, mas que em breve se revestira da sua conhecida
energia, e que a uma voz que no sabemos dizer bem d'onde veio, o povo
agglomerou-se nas ruas! quando  sabido por adversarios, indifferentes,
e amigos da revoluo, que o Snr. Passos Jos foi, depois de S. Exc. os
Snrs. Visconde de Beire, Governador Civil do Porto, e Visconde
d'Alcobaa, Commandante provisorio da terceira diviso militar, o
primeiro que soube dos acontecimentos que produziram a emboscada de 6
d'Outubro de 1846, e da commisso de que o Duque da Terceira vinha
encarregado na sua chegada s aguas do Douro; e que terminada no
gabinete do Governo Civil do Porto a leitura d'um officio do Marechal
Saldanha ao Exc.^mo Visconde d'Alcobaa, remettido por Terceira de bordo
do vapor, e a informao do que a respeito da emboscada sabiam as duas
primeiras authoridades--o Snr. Jos Passos se declarou, in continenti e
sem a minima hesitao, em revoluo, e comeou com incrivel rapidez a
pr em execuo a sua lembrana, e a adoptar todas as providencias para
o bom resultado da empreza. To apressado andou o Snr. Jos Passos para
evitar que o Duque e seus camaradas chegassem aos corpos primeiro que
elle, que nem tempo teve para ficar _surprezo_; e muito menos para ouvir
essa voz de que s por via do folheto do Snr. D. Joo tivemos noticia.

Finge S. Exc., que antes do pronunciamento do Snr. Passos Jos, e da
reunio dos tres corpos no quartel de Santo Ovidio haviam grupos pela
cidade a gritar uns pelo Snr. Passos, e outros pelos Snrs. Pintos
Bastos!! Andamos pelas principaes ruas da cidade, fomos para servio do
paiz desde a Praa Nova at ao quartel do 6. fallar com um benemerito
capito, e no encontramos nenhum desses grupos, que no appareceram,
nem podiam apparecer seno s Trindades.

A tropa no obedecendo ao Duque da Terceira, recolhendo-se aos quarteis
de Santo Ovidio, e deixando o campo livre ao Snr. Passos e ao povo para
fazer o que conviesse para segurana da liberdade, provou que a tropa
Portugueza  to civilisada como a Franceza; e que os cabralistas nunca
tero fora para a deshonrar, fazendo-a assassinar a seus pes, irmos,
e amigos.

O povo no esperava os acontecimentos de Lisboa, no conhecia todos os
tramas dos inimigos da revoluo de Maio, as confidenciaes, os despachos
telegraphicos &c. Teve ao mesmo tempo a noticia dos acontecimentos da
capital, e a da resoluo de resistir, adoptada pelo Snr. Jos Passos,
que mandou tocar os sinos a rebate, avisar muitos patriotas, chamar para
Santo Ovidio os Administradores dos Bairros (appareceram s dous), e
alguns outros empregados, e pr em prtica outras providencias, que
apesar de sabidas de muitos, talvez se publiquem s quando sahir  luz a
historia circumstanciada daquelle extremado feito de patriotismo
Portuense.

 hora em que desembarcou o Duque da Terceira no Porto, achavam-se os
heroicos cidados Portuenses occupados nos seus mesteres; porque 
sabido que nesta cidade ha poucos ociosos, e que no ha povo nenhum to
virtuoso e laborioso como o Portuense.

O que  para admirar  como em to curto prazo de tempo se reuniu to
grande numero de cidados respeitaveis, como  noite appareceram em
Villar.

Fazemos inteira justia ao Snr. Passos Jos, que se tivesse sido infeliz
na sua tentativa, e levado diante d'um conselho de guerra, diria com a
franqueza, lealdade, e lizura, que tanto o distinguem, o que elle fez
naquelle dia e noite para sempre memoraveis, e no imitaria os
criminosos vulgares, negando--que a iniciativa da revoluo de 9
d'Outubro de 1846 lhe pertencia.--Conhecemos perfeitamente o Snr. Passos
Jos--no costuma declinar a responsabilidade dos seus actos, nem faz em
segredo o que no possa dizer em publico.

A moda agora em toda a Europa  serem _anonymas_ as revolues. Essa
moda  j antiga entre ns; porque a revoluo de Setembro de 1836, e a
de Maio de 1846 _passam por anonymas_. As iniciativas dellas partiram de
todo o povo. Mas se o mui nacional movimento de 9 d'Outubro de 1846
carece para ter lugar entre as mais nobres e distinctas revolues que
se sacrifique a verdade historica s conveniencias politicas, escreva-se
ento o romance de maneira que no possa ser desmentido por uma grande
cidade que presenciou os acontecimentos.

O governo provisorio, em consequencia da revoluo de 9 d'Outubro de
1846, formado nesta heroica cidade, foi acclamado, reconhecido, e
obedecido pela quasi totalidade da Nao. Quereis maior prova da sua
popularidade? Houve por ventura j revoluo mais santa e justa?....

O Snr. D. Joo d'Azevedo no se lembra que da boca de nenhum popular
sahisse em Maio de 1846 a voz de==viva o decreto de 10 de Fevereiro de
1842! nem==morram as eleies indirectas!==Comtudo essa resistencia
forte, compacta, e unisona, foi principalmente devida  inexecuo
daquelle decreto: porque no houve ainda neste paiz providencia
legislativa, ou constitucional mais popular, e por que a Nao mostrasse
tantos desejos de que se cumprisse.

Cabe muito louvor  benemerita Junta de Santarem e ao seu dignissimo
Presidente o Snr. Manoel da Silva Passos, por haver exigido a
observancia daquelle decreto, que se tivesse sido fielmente cumprido,
haver-se-hiam evitado os differentes abalos por que desde a sua
publicao o paiz passou.

A Junta de Santarem bem-mereceu da Nao por haver comprehendido
cabalmente as necessidades e desejos do povo, e conseguido a promessa e
segurana de que seriam satisfeitos.

No deve causar estranheza que houvesse quem no gostasse da reforma da
Carta pelo decreto de 10 de Fevereiro de 1812, e das eleies directas,
e se contentasse com a reconsiderao ou suspenso das leis da
contribuio de repartio, e de saude, e com uma simples mudana de
pessoas. Esta politica  mui propria para especuladores d'empregos, para
quem os homens so tudo, e os principios nada.

Espanta a facilidade com que o distincto escriptor ousa asseverar, que o
Snr. Conde das Antas fra repetidas vezes avisado, de que se ouvia fogo
na frente no dia da aco de Torres Vedras, e no julgra acertado hir
ao encontro do Duque de Saldanha, e que a Junta tinha sido avisada um
sem numero de vezes, por muitas pessoas, e por todos os modos, que a
esquadra hia ser aprisionada!! Quando a verdade , que se o Snr. Conde
das Antas ouvisse o fogo, teria voado ao campo do combate, porque em
valor militar no houve no exercito de D. Pedro, general, official,
soldado, ou voluntario que excedesse o intrepido e habilissimo
Xavier:--e que a expedio sahiu porque no haviam desconfianas
razoaveis de que seria tomada. Os documentos publicados nos jornaes e
livro azul, mostram que a Junta no podia ter conhecimento _prvio_
desse acontecimento, que deshonrar para sempre o governo britannico.
Depois que elle se verificou, consta-nos que appareceram alguns
impostores mui conhecidos--que para se darem importancia, comearam a
dizer, que pelas suas relaes diplomaticas _imaginarias_, tinham antes
sabido o que succedeu.

No nos causou surpreza o no ter o Snr. D. Joo d'Azevedo alguma
expresso para stigmatisar a calumnia inventada por C. C. de que o Snr.
Manoel Passos partira para Roma, a fim de acompanhar D. Miguel; porque
estavamos preparados para tudo depois que fallando do Snr. Passos Manoel
elle escreveu a pag. 52... a final sempre cahiu em dizer que a
verdadeira causa era porque em Santarem o Conde das Antas o no
considerra como elle merecia!....

Afigura-se-nos que a supposta falta d'um commissionado em Inglaterra,
que dissesse ao Joo Bull, ou a Lord Palmerston, que a Junta do Porto
no queria fazer banca-rota, no pde ser relevada no tribunal do Snr.
D. Joo! Custa a acreditar que se fizesse semelhante censura. Pois quem
ha ahi que ignore, que a Junta nomeou seu encarregado de Negocios na
Crte de Londres o Exc.^mo Snr. Antonio Cabral de S Nogueira, e que
este distincto diplomatico prestou os mais valiosos servios  causa
nacional--que teve uma conferencia com Lord Palmerston--que empregou os
meios convenientes para esclarecer o publico britannico cerca da
questo Portugueza--e que fez muito mais do que lembra o Snr. D. Joo?

Como se havia de responder ao documento n. 231 de Seymour para
Palmerston, se delle no podia haver conhecimento seno depois de
publicado o livro azul inglez? E qual deveria ser a resposta, cerca da
banca-rota, que deveria dar um governo amigo da verdade e prosperidade
do paiz?

O manifesto da Junta, e todos os documentos importantes foram pela
repartio dos negocios estrangeiros dirigidos aos Consules das diversas
Naes, residentes no Porto, e appareceram impressos em alguns dos
principaes jornaes da Europa. No houve abandono, nem descuido em
informar as Naes interventoras da questo Portugueza de 1846 e
1847.--As discusses dos parlamentos de Inglaterra e Frana so prova
incontestavel do que acabamos de escrever. No seremos mais explicitos
neste ponto, nem revelaremos alguns meios, que para se conseguir esse
louvavel fim, foram com muita habilidade empregados pelo distincto
patriota que dirigia a repartio dos negocios estrangeiros; porque no
queremos nestes apontamentos dizer nada que no possamos provar com
milhares de testemunhas, e muitos documentos. A discusso ha-de produzir
o ser o publico informado de tudo.

Durante o governo da Junta, muitos dos que hoje censuram o no se ter
prestado mais atteno  diplomacia, diziam por essas ruas, praas, e
pasmatorios--que a verdadeira diplomacia consiste na artilheria,
cavallaria, e infanteria; e o dinheiro que ho-de gastar com ministros
plenipotenciarios e encarregados de negocios, empreguem-o na compra de
cavallos, armas, e petrechos de guerra.

Hiamos-nos desviando do nosso objecto, que no  analysar a obra do Snr.
D. Joo, mas escrever apontamentos para a biographia do nosso antigo e
illustre amigo o Snr. Jos Passos, que segundo a opinio qui singular
do author da historia da prerogativa, tem o _sestro_ de desdenhar de
todos e de tudo, e apraz-se muitas vezes em vr correr o sangue s
pinguinhas!!! Que tal est a poesia do nosso _Timo_?

Nos apontamentos biographicos de cada um dos membros da Junta no 
possivel deixar de apparecer rectificadas algumas das inexactides do
folheto do Snr. D. Joo, mas fa-lo-hemos sempre com a deferencia que se
deve a to habil escriptor.

No vamos fazer o panegyrico do Snr. Jos Passos, mas sim dizer aquella
pequena parte dos servios por elle prestados  causa do progresso, que
as circumstancias permittem publicar. Tempo vir em que se poder
relatar o muito que reservamos para outra publicao.




CAPITULO II.


O Snr. Jos da Silva Passos  natural de S. Martinho de Guifes,
concelho de Bouas, districto do Porto, filho de Manoel da Silva Passos,
e de Antonia Maria da Silva Passos, honrados lavradores (que ns muito
bem conhecemos), casado com a Exc.^ma Snr. D. Anna Margarida Soares da
Silva Passos, Proprietario, Bacharel formado em Leis, Bacharel em
Canones, algumas vezes eleitor de provincia, Deputado s Crtes,
sub-Secretario d'Estado dos Negocios da Fazenda, sub-Inspector do
Thesouro Publico na poca em que seu irmo mais novo o Exc.^mo Snr.
Manoel da Silva Passos foi Ministro e Secretario d'Estado dos Negocios
da Fazenda &c., Socio honorario da Academia de Bellas-Artes de
Lisboa--vogal, e vice-Presidente da Junta Provisoria do Governo Supremo
do Reino, eleita no Porto em 10 d'Outubro de 1846,-- encarregado das
reparties dos Negocios Estrangeiros, e da Fazenda, por decreto de 15
d'Outubro de 1846, at 30 de Junho de 1847.

O Snr. Jos Passos, com seu irmo o Snr. Passos Manoel, foram os
proprietarios e redactores do jornal liberal==_O Amigo do Povo_==que em
Coimbra se publicava em 1823. Perseguido durante o regimen absoluto
daquelle tempo, tornou a s-lo em 1828 pelos partidistas do Snr. D.
Miguel. Retirado o exercito constitucional para Hespanha, emigrou o Snr.
Passos Jos com elle, e d'alli passou para Inglaterra e Frana.

Os Snrs. Passos Manoel, Baro da Ribeira de Sabrosa, Leonel, Saldanha,
Passos Jos, Liberato, e outros, fundaram na emigrao a opposio
constitucional (a esquerda). Os dois Passos trabalharam todo o tempo da
emigrao para destruir o governo tyrannico existente em Portugal. Ambos
escreveram diversos folhetos politicos, e alguns artigos nos jornaes
estrangeiros.

No memoravel crco do Porto serviu o Snr. Jos Passos de Tenente, e
Capito do Batalho Nacional Provisorio de Santo Ovidio.

Foi eleito Presidente da primeira Camara Municipal da cidade do Porto,
que se nomeou depois do seu glorioso crco. Nesta qualidade resistiu
nobre e corajosamente em 1834  lei das indemnisaes de 31 d'Agosto de
1833. As sympathias do partido realista para com os Snrs. Passos so
principalmente devidas a este acto de justia e politica da camara do
Porto; e aos eloquentissimos discursos do Snr. Passos Manoel na questo
das indemnisaes nas crtes de 1835--e  segurana e liberdade de que
os realistas comearam a gozar depois de 10 de Setembro de 1836.

No anno de 1834 foi o Snr. Jos Passos eleito deputado pela provincia do
Douro. Tomou assento na extrema esquerda, e foi um dos seis deputados
que votou contra a Regencia do Snr. D. Pedro. Tornou a ser eleito
deputado nas crtes de 1836 e 1838. Como membro da commisso da lei
eleitoral teve alguma parte nos trabalhos, e redaco da constituio de
20 de Maro de 1838.

Foi nomeado Tenente Coronel Commandante do segundo Batalho da Guarda
Nacional Portuense.

Convidado algumas vezes para ser Ministro, depois da demisso de seu
irmo o Snr. Passos Manoel, por alguns cavalheiros encarregados
d'organisar a Administrao, e at por ordem da propria Rainha depois do
dia 13 de Maro de 1838, nunca acceitou o Ministerio.

No parlamento pertenceu a muitas commisses, porque era conhecido como
um deputado mui laborioso, e de grande rectido.  o principal author do
codigo administrativo de 31 de Dezembro de 1836.

Na administrao de Novembro de 1836 mostrou o Snr. Jos Passos grande
talento pratico: e elle s, desempenhava com dignidade e acerto o
servio que at alli era feito por seis ou oito conselheiros do
Thesouro.

Em 1837 foi pelo Ministerio pedido s crtes para ser empregado
juntamente com o nobre Visconde de S da Bandeira nas provincias do
Norte de Portugal contra os Marechaes Saldanha, e Terceira, que se
haviam revoltado contra a gloriosa revoluo de Setembro de 1836.

O Snr. Visconde de S da Bandeira, na qualidade de Lugar Tenente da
Rainha, encarregou o Snr. Jos Passos da parte financeira nas provincias
do Norte; e nomeou para secretario deste o Snr. Manoel Joaquim Pereira
da Silva, Lente da Academia Polytechnica. O Snr. Passos Jos fez nessa
poca importantes servios  causa nacional, introduzindo a possivel
economia nas despezas da guerra, e zelando muito os interesses da
Fazenda Publica.

No recebeu o Snr. Passos Jos vencimento algum como sub-Secretario
d'Estado dos Negocios da Fazenda, e sub-Inspector do Thesouro Publico,
nem da commisso que em 1837 desempenhou nas provincias do Norte.

Teve grande parte na redaco da lei das eleies directas de 9 d'Abril
de 1838.

Nas eleies de 1842 foi barbaramente espancado, e arrastado por alguma
das ruas do Porto pelos sicarios cabralinos, a quem (se diz) um dos
Snrs. Cabraes (J. B.) encommendra o assassinato do Snr. Passos Jos,
por ser o chefe mais decidido da opposio nas provincias do Norte.
(Galeria dos Contemporaneos pag. 21).

Governando os Snrs. Cabraes, foi durante a suspenso das garantias duas
vezes prso sem o menor motivo, porque o Snr. Jos Passos no s se no
tinha envolvido em conspiraes, mas reprovava as revoltas armadas, em
quanto os meios constitucionaes, e legaes eram efficazes. Assignou o
famoso requerimento redigido pelo Snr. Doutor Francisco Jeronymo da
Silva, que em 19 de Maio de 1846 os prsos politicos no castello de S.
Joo da Foz dirigiram ao Governador Civil Conde de Terena Jos.

Depois da revoluo de Maio de 1846 tornou a ser Presidente da
Commisso, e Camara Municipaes do Porto, aonde fez uma administrao
honrada, desinteressada, e illustrada. Prestou ento muitos servios
administrativos e politicos  cidade do Porto, concorrendo poderosamente
para a pacificao e conciliao dos partidos.

Como membro do Conselho Filial de Beneficencia, ajudou muito o Exc.^mo
Snr. Visconde de Beire, Governador Civil deste Districto, na definitiva
organisao do Asylo Portuense de Mendicidade, decretado pelo Snr.
Passos Manoel em 15 d'Outubro de 1836. Foi nomeado Vogal e Presidente da
primeira Commisso Administrativa do Asylo. Esforou-se muito em Junho
de 1846 para que se organisasse a Guarda Nacional Portuense.

O Snr. Jos da Silva Passos no  orador, mas homem pratico, laborioso,
de prestimo no parlamento, e na administrao--d'um caracter suavissimo,
franco, de excessiva tolerancia, grande tenacidade politica, mui
propenso a elogiar amigos e inimigos--a louvar as aces dos outros, e a
reputar em mui pouco as suas--inimigo obstinado de perseguies
politicas de qualquer especie--e como seu irmo o Snr. Passos Manoel, o
modelo do desinteresse, da probidade, e da dedicao--e grande
partidista da economia.

Tem sido e  Lugar Tenente do Gro Mestre da Maonaria do Norte, e
decidido sectario da politica de seu irmo o Snr. Passos Manoel--(Vide
Architectura mystica pag. 265).




CAPITULO III.


A firmeza de principios, a coragem moral, a aptido para os negocios, a
admiravel probidade, desinteresse, e grande actividade do Snr. Passos
Jos, eram sobejamente conhecidas no Reino, mas todas estas qualidades
receberam um novo realce pelos seus importantes trabalhos na ultima
guerra civil.

O Snr. Jos Passos, author da resistencia ao golpe d'estado de 6
d'Outubro de 1846, comeada nesta cidade,  na opinio geral dos homens
independentes considerado como aquelle que, por sua capacidade, firmeza,
e tino governativo, mais trabalhou para o triumpho da revoluo, que
seria infallivel se no fosse a interveno armada de tres poderosas
naes.

Havendo o Snr. Jos Passos estado, na manh do dia 9 d'Outubro de 1846,
no Governo Civil deste Districto, e assistido  adopo de diversas
providencias que as authoridades competentes julgaram conveniente tomar,
e  resoluo de se imprimir o post-scriptum  ultima hora que no
_Nacional_ n. 114 appareceu, veio para os Paos do Concelho rubricar
como Presidente da Camara, os cadernos que haviam de servir nas eleies
de deputados no dia 11.

Pela volta das quatro horas da tarde, pouco mais ou menos, dirigiu-se
novamente ao Governo Civil para saber se havia algum despacho
telegraphico relativo  mudana ministerial, ou  contra-revoluo da
capital, que tinha annunciado o Snr. Administrador de Villa Franca de
Xira.

A cidade no podia estar mais tranquilla; ninguem se podia lembrar que
dentro de poucos minutos hia comear a maior revoluo que neste paiz
tem havido.

No momento em que o Snr. Jos Passos entrava no gabinete de S. Exc. o
Snr. Governador Civil, estava o Exc.^mo Visconde d'Alcobaa lendo um
officio do Marechal Saldanha, que parece de bordo do vapor lhe tinha
dirigido o Duque da Terceira.

Informado o Snr. Jos Passos por S. Exc.^as os Snrs. Visconde de Beire,
e Visconde d'Alcobaa, da chegada s aguas do Douro, do Duque da
Terceira, na qualidade de Lugar Tenente de S. M. a Rainha, e do que
elles sabiam a respeito dos acontecimentos da capital; e conjecturando
que estes dois respeitaveis cavalheiros, apesar das suas excellentes
ideias, sincero amor da liberdade, e abalisado patriotismo no estariam,
por deferencia para com S. M. a Rainha, dispostos a resistir
convenientemente, considerou-se immediatamente, sem a menor hesitao, e
sem ouvir o voto de ninguem, em revoluo, e assim comeou com a maior
presteza a dar todas as providencias para resgatar a sua patria, que
tinha cahido novamente sob o dominio da faco cabralina.

Dirigindo-se logo ao quartel general da terceira diviso militar, e no
encontrando alli os officiaes que procurava, achou  porta do mesmo o
benemerito Governador Civil, com quem trocou algumas palavras.

 esquina do theatro de S. Joo, na praa da Batalha, encontrou o bravo,
nobre, e patriotico Montenegro, Commandante em segundo da Guarda
Municipal Portuense; depois de fallarem, dirigiram-se ambos para o
quartel do Carmo, a fim de se pronunciar o distincto corpo da Guarda
Municipal, antes que o Duque alli fosse, ou mandasse algum seu
emissario.

Os Snrs. Passos Jos, e Montenegro, no seu caminho para o quartel do
Carmo, entraram n'uma casa na rua nova de Santo Antonio, mas no se
demoraram.  sahida dessa casa disse o Snr. Passos algumas palavras ao
Snr. Fevereiro Junior.

Durante o transito pelas ruas de Santo Antonio, Praa Nova, Clerigos,
Correio, Praa dos Voluntarios at o quartel do Carmo--foi o Snr. Jos
Passos declarando a quem encontrava, que se resistia  contra-revoluo
de Lisboa, que se havia de impedir que o Duque exercesse as funces de
Lugar Tenente, e pedindo a todos que se fossem armar, e communicassem
aos outros patriotas esta briosa resoluo.

Pronunciada a Guarda Municipal, pelo que so dignos d'encomios os
commandantes, officiaes, e soldados, mandou o Snr. Jos Passos tocar os
sinos a rebate, avisar os Commandantes dos Batalhes da Guarda Nacional
para que fizessem reunir os seus corpos, e bem assim os Administradores
dos Bairros, e outros empregados, para o encontrarem no quartel de Santo
Ovidio.

Na sahida do quartel da Municipal fallou o Snr. Passos, junto  porta da
igreja do Carmo, com o benemerito Tenente Coronel Gromicho Couceiro.
Achavam-se alli os Snrs. Abreu Couceiro, Fevereiro, Nicolau, e mais
quatro patriotas.

Dirigiu-se ao Bomjardim, e tendo ahi montado a cavallo, veio reunir-se,
na rua dos Ferradores,  Guarda Municipal, que na conformidade da
resoluo previamente adoptada, marchava para o quartel de Santo Ovidio,
aonde se achava o Regimento d'Artilheria n. 3, do commando do distincto
militar o Snr. Antonio Rogerio Gromicho Couceiro.

Depois de ter alli fallado com dois Administradores de Bairro, alguns
empregados, distinctos militares, e outros patriotas &c. marchou com o
Capito N., dez soldados da municipal de cavallaria, e um patriota
paizano, pela rua nova do Almada, calada dos Clerigos, praa dos
Voluntarios da Rainha, Carregal, Torre da Marca em direco ao quartel
do 6. regimento, com o fim de promover a revoluo na povoao, e
assegurar-se por si da fidelidade do benemerito corpo de infanteria n.
6.

No meio do campo de Santo Ovidio reuniu-se-lhe o Dr. Francisco Antonio
de Rezende, que acompanhou o Snr. Jos Passos na primeira vez que foi ao
Duque, e depois continuou a trabalhar no que foi necessario para o
triumpho da causa nacional. O Snr. Rezende  tambem um dos diversos
cidados que foi, por recommendao dos Snrs. Jos Passos, e Visconde de
Beire, procurar barco para conduzir a bordo do vapor os illustres
generaes, vindos de Lisboa.

O Snr. Jos Passos, no transito para Villar, mandou prender defronte do
palacio do Baro de Nevogilde, um official da comitiva do Duque, que hia
encarregado de levar despachos de S. Exc.

Depois de haver fallado com o distincto Commandante d'infanteria n. 6,
que informou o Snr. Passos do que havia passado com um filho do Exc.^mo
Conde de Terena Jos, continuou a sua marcha para Villar.

Chegado ao palacio do Conde de Terena Sebastio, e feitos os devidos
comprimentos, teve o Snr. Jos Passos occasio de declarar que a
guarnio estava na resoluo de no cooperar para no Porto se imitar o
que se tinha feito na capital, e que contava que a cidade tambem no
obedeceria s ordens de que S. Exc. era portador.--O Duque, como
militar valente que , dizia com toda a urbanidade e cortezania, que
havia de cumprir a sua misso e as determinaes do governo de S. M. a
Rainha; ao que o Snr. Jos Passos respondeu com a sua notoria
amabilidade--que desta vez no seriam cumpridas.--Depois d'andarem
conversando na sala os Snrs. Duque, e Passos Jos, aproximou-se o
General Visconde de Campanha, o qual perguntou seccamente ao Snr.
Passos==V... reconhece o ministerio ultimamente nomeado por S. M. a
Rainha?==Para mim, respondeu o Snr. Jos Passos, s  legitimo o que for
filho da insurreio.==Entendo bem, disse o Snr. Campanha.

Entrou o nobre Visconde d'Alcobaa, e o Snr. Jos Passos sahiu com o
Snr. Dr. Rezende para, depois de dadas as providencias para que d'alli
se no evadissem os generaes vindos da capital, fazer marchar para Santo
Ovidio o regimento d'infanteria n. 6; porque no convinha que
continuasse a permanecer na proximidade do quartel do Duque.

Para guarda do Duque e seus companheiros deixou o Snr. Jos Passos o
Snr. Capito N., oito soldados de cavallaria, seis ou sete paizanos,
sendo um delles o Snr. O. C. que teve de hir immediatamente ao quartel
de Santo Ovidio, encarregando-os de no deixar escapar os cavalheiros
que se achavam na casa do Snr. Conde de Terena Sebastio, tanto pela
porta como pelos quintaes, promettendo-lhes que para alli marchariam os
patriotas que estivessem reunidos na cidade, assim como todos os que
encontrasse no seu caminho para Santo Ovidio, para onde acompanhou o
regimento n. 6.

A estas providencias dadas pelo Snr. Passos devem o no ter sido presos
o Snr. Antonio Pereira dos Reis, e outros.

Entrando o Snr. Jos Passos com o regimento 6. no quartel de Santo
Ovidio, ahi na presena dos Snrs. Baro de Fornos d'Algodres, Rogerio
Gromicho Couceiro, Montenegro, Damazio, Almeida e Brito, Rezende, O. C.,
e outros officiaes--escreveu o Snr. Jos Passos ao Commandante da
terceira diviso militar, Conde das Antas, uma carta que mandou expedir
por um postilho.

Os Snrs. Jos Passos, Baro de Fornos, Antonio Rogerio Gromicho
Couceiro, Joo Pinto de Sousa Montenegro, so todos constitucionaes,
emigrados, e soldados de D. Pedro.

O Snr. Baro de Fornos d'Algodres  um fidalgo, antigo liberal, e
official distincto e disciplinario.--O Snr. Gromicho Couceiro  um dos
mais distinctos officiaes d'artilheria, patriota muito illustrado; e fez
tambem bons servios, juntamente com o Snr. Jos Passos, nos dias 12 e
13 de Junho de 1846, e desempenhou com muita dignidade o lugar de Lente
na Academia Polytechnica Portuense.--O Snr. Montenegro  um cavalheiro,
valentissimo official, e distinguiu-se na revoluo de Maio de 1846, e
na aco de Valpassos.

Do quartel de Santo Ovidio passou o Snr. Passos para o palacio do Snr.
Visconde de Beire, e d'alli para a praa de D. Pedro, a fim de apressar
a marcha, para Villar, dos populares que se tivessem reunido.

A tropa de linha conservou-se firme e na mais completa obediencia aos
seus commandantes, no quartel de Santo Ovidio.

Em consequencia do toque de sino--da noticia da chegada do Duque--e da
resistencia comeada pelo Snr. Passos, e da louvavel posio que tinha
tomado a tropa, um numero consideravel de cidados respeitaveis se tinha
no principio da noite comeado a reunir em alguns pontos da cidade.

A patula depois d'armada comeou a marchar para Villar, e a operar. O
Snr. Passos Jos na praa de D. Pedro conversou com o Snr. Justino
Ferreira Pinto Basto, e recommendou a alguns patriotas que fossem aos
outros pontos de reunies populares avisar os cidados para marchar para
o quartel do Duque.

Vimo-lo depois no pteo da igreja do Carmo conversando com o Snr.
Almeida e Brito, Alvo Brando, alguns officiaes, e outro cavalheiro, em
quanto pela frente hiam marchando as foras populares. Mandou d'alli
alguem vigiar a cada e a ponte, e pediu que lhe mandassem um
destacamento de soldados de infanteria municipal para Villar--e
dirigiu-se pela segunda vez para a casa onde se achava o Duque.

Encontrou na casa do Conde de Terena Sebastio os Snrs. Visconde de
Beire, e d'Alcobaa, com quem esteve fallando, e talvez combinando o que
naquelle momento convinha fazer a respeito dos illustres generaes.

Poucos minutos antes da segunda visita do Snr. Passos Jos a casa do
Snr. Conde de Terena Sebastio, tinha o patriota o Snr. Antonio Navarro
entrado na sala e declarado ao Duque, que o povo exigia que elle fosse
prso para os paos do concelho.

O Snr. Passos entreteve-se a conversar com o Duque, Visconde de Fonte
Nova, Conde de Terena Jos, Conde de Santa Maria, em quanto todos os
vindos de Lisboa, e alguns que se dispunham acompanh-los, se preparavam
para marchar para o lugar do embarque. Um fidalgo mancebo aproximou-se
do Snr. Passos Jos, e disse-se que appellando para os sentimentos
nobres e cavalheiros deste benemerito cidado, e para a sua proverbial
generosidade, lhe recommendou que tivesse o maior cuidado na conservao
do Duque--ao que o Snr. Passos respondeu--que a recommendao era
desnecessaria; porque a salvao da vida do Duque era o seu principal
dever, e que podia assegurar a S. Exc. que o seu corpo serviria de
trincheira ao Duque, e que s por um acaso inesperadissimo poderia o
Marechal ser ferido ou maltratado, sem que primeiro o fosse elle Jos
Passos.--Declarao de cavalheiro, que o Snr. Jos Passos cumpriu
primorosamente, no se separando do lado do Duque seno momentaneamente,
duas vezes, porque o bem do Marechal assim o exigia. Facto este
presenciado por amigos e adversarios, e que no pde ser contestado.

O Duque, antes do triste papel que lhe distribuiram para tirar a S.
Exc. o que tinham de glorioso os seus padecimentos, dizia com muito
chiste==O Jos Passos  uma formidavel trincheira.==O risco foi mui
grande naquella noite, mas era difficil que eu fosse ferido ou morto
antes que o fosse o Jos Passos.==Esto ainda bem presentes na memoria
d'alguem que, na lingoeta, disse o Duque para o Snr. Jos Passos==V....
fez agora o diabo;.... tive bastante receio....

A opinio mais geral era que convinha re-enviar para Lisboa os generaes.
Os Snrs. Passos Jos, Visconde de Beire, e Visconde d'Alcobaa, tinham
os mais sinceros desejos de que elles re-embarcassem, e lhes no
succedesse incommodo algum. As ordens mais terminantes foram dadas para
se apromptar um barco que os conduzisse ao vapor.

O no apparecimento do barco, e a muita demora que houve na lingoeta a
vr se dos vapores, ou de algum navio, vinha escaler, suscitou a alguns
populares a lembrana de serem conduzidos ao castello de S. Joo da Foz
do Douro os illustres generaes. Ento o proprio Duque vendo que a
exaltao dos bons cidados hia subindo de ponto, conveio em que nada se
podia fazer mais acertado do que seguir o brado popular. Patriotas
distinctos, e chefes de fabricas continuaram a fazer esforos para que o
Duque re-embarcasse, e no fosse para o castello. Baldados esforos!
porque no appareceu barco ou escaler. Se alguem tivesse declarado aos
Snrs. Passos Jos, Visconde de Beire, e Visconde d'Alcobaa, que
apromptava o barco, ou que o havia na proximidade, teriam estes
cavalheiros feito todas as diligencias para que elles embarcassem,
embora perdessem a vida; porque nessa noite no s esses tres illustres
cidados, mas muitos outros patriotas Portuenses deram a prova mais
cabal, de que sabiam affrontar a morte, quando tratam de cumprir os seus
deveres...

Durante todo o transito, o Snr. Jos Passos desenvolveu a sua costumada
coragem, mostrou-se digno irmo do corajoso e intrepido Passos Manoel; e
patenteou o mais decidido interesse pelo Duque. O Snr. Passos Jos j
tinha visto em poca no mui remota, armas levantadas, bayonnetas
apontadas contra o peito, e no deixou por isso de cumprir o seu dever
na praia de Gaya, e praa de D. Pedro.

Os prsos foram conduzidos sem o maior incommodo at o castello da Foz.
Louvor aos patriotas Portuenses que mostraram que, em generosidade e
tolerancia, no so inferiores aos Parisienses. No nosso paiz ha muito
que a pena de morte por delictos politicos se reputa extincta.
Costumamos marchar sempre na vanguarda do Exercito da liberdade e
civilisao.

A indisposio contra o Duque provinha principalmente de haver sido
ministro com os Cabraes.

Os patriotas deixaram evadir os Snrs. D. Manoel Alva, Antonio de
Lacerda, Barros, e outros.

No dia seguinte (10) o Governador Civil interino Corte Real, propunha 
Camara Municipal, reunida em vereao extraordinaria, a nomeao d'uma
Junta Provisoria do Governo Supremo do Reino, como se fizera em 24
d'Agosto de 1820.

Foram eleitos para a Junta:--Presidente, Conde das Antas
Vice-Presidente, Jos da Silva Passos--Vogaes, Antonio Dias
d'Oliveira--Sebastio d'Almeida e Brito--Justino Ferreira Pinto
Basto--Conde de Rezende--Baro de Lordello--Antonio Luiz de Seabra,
vogal encarregado das reparties civis--Francisco de Paula Lobo
d'Avila, vogal encarregado das reparties de guerra e marinha.

Os Snrs. Dias d'Oliveira, Baro de Lordello, e Conde de Rezende, no
acceitaram a nomeao, apesar de sympathisarem com a causa popular.

O Snr. Conde de Rezende, como official do Exercito, prestou mui valiosos
servios.

A Junta teria sido melhor organisada, se os Snrs. Visconde de Beire, e
Visconde d'Alcobaa, no tivessem depois da noite de 9 d'Outubro de 1846
voltado  vida privada.

Se o Snr. Jos Passos teve alguma parte na escolha dos individuos que
formaram a Junta, faz-lhe muita honra o ter escolhido para membros della
alguns cavalheiros que antes estavam em divergencia com elle na questo
eleitoral.

O Snr. Jos Passos, como encarregado dos negocios da Fazenda, e em
cumprimento das ordens da Junta, procurou muitos recursos para a
sustentao da causa nacional--aboliu alguns tributos, como foi o do
pescado--reduziu as sizas a cinco por cento--permittiu durante a guerra
civil o livre fabrico do sabo, e a admisso do estrangeiro com modicos
direitos--alliviou os jornaes, e impressos dos portes do
correio.--promoveu com grande actividade a cobrana dos rendimentos
publicos--introduziu a mais sevra fiscalisao, economia, e
regularidade nas reparties a seu cargo--mostrou severidade contra os
prevaricadores, e maus funccionarios--empregou muitos esforos para
adiantar a contabilidade das reparties publicas, e para evitar roubos
e desperdicios que to vulgares costumam ser em pocas de commoes
n'outras naes.--Fundou a casa da moeda em Monchique.--A conta da
receita e despeza effectuada no cofre central do Porto, achava-se
lanada no livro respectivo, indicado nas instruces de 8 de Fevereiro
de 1843, que existe em poder das authoridades da situao desde 30 de
Junho de 1847.  de presumir que o governo actual a mande imprimir e
distribuir pelas camaras legislativas; visto que a Junta se acha
dissolvida, e os seus membros no tem caracter algum governativo.

Os governadores civis, os thesoureiros pagadores, os delegados do
thesouro, os empregados das secretarias, directores d'Alfandegas,
administradores e recebedores de concelho, e todos os mais empregados
fiscaes desempenharam as suas funces com zelo, actividade, e
intelligencia. Os commissarios do governo, junto aos bancos, companhias,
emprezas, e contractos, tambem cumpriram os seus deveres com moderao,
fidelidade, e dignidade.

Com mil quarenta e dois contos trezentos sessenta mil trezentos e
cincoenta e dois reis, sustentou, por espao de nove mezes, um exercito
maior do que actualmente temos--forneceu dinheiro para a compra d'armas,
petrechos de guerra, seiscentos cavallos e arreios--para fardar milhares
de soldados, e voluntarios--para sustentar a marinha, fazer duas
expedies, fortificar a cidade muito melhor do que o estava no tempo do
famoso crco--e para muitas outras despezas extraordinarias conducentes
ao triumpho da revoluo. A responsabilidade moral da Junta e dos que
geriram os dinheiros publicos ou particulares, consiste principalmente
em provar que o no applicaram para seu particular proveito, mas sim
para o bem da causa de que o povo os encarregou.

Mas o que sobremaneira honra a Junta,  as poucas medidas violentas de
que, no meio de to extraordinarias circumstancias, lanou mo, quando
parece tinha um perfeito conhecimento de quem eram os conspiradores que
ajudavam o governo de Lisboa, e dos seus planos! Os emprestimos forados
de dinheiro foram insignificantes. Os de generos, pipas, vinhos, palhas,
madeiras &c., foram insignificantissimos--porque havia uma grande poro
de donativos voluntarios.--Os mappas que por ordem da Junta se estavam
formando nos governos civis para juntar aos relatorios dos encarregados
das diversas reparties, continham preciosissimos dados estadisticos
para se avaliar no s a economia e regularidade das authoridades da
Junta--mas os sacrificios do povo para a conservao da sua
liberdade.--As intenes da Junta eram que se pagassem todas as despezas
feitas para o triumpho da causa popular, logo que a capital adherisse 
vontade nacional.

Um governo justo e amigo da prosperidade nacional, no pde deixar de
mandar liquidar essas quantias que se ficaram devendo, e pag-las da
maneira mais suave tanto para o Estado, como para os mutuantes forados.
As despezas das guerras civis quando os partidos belligerantes se
equilibram, devem ser pagas pelo thesouro publico. A Junta merece a
gratido dos mutuantes pelos esforos que fez para obter para estes, das
potencias interventoras, ou do governo de Lisboa o prompto pagamento.
Vejam-se as instruces dadas aos plenipotenciarios ou agentes da Junta
encarregados das negociaes.

A administrao financeira da Junta foi das mais economicas e regulares
que neste paiz tem havido.

Como vice-Presidente, mandou o Snr. Passos Jos expedir muitos officios
e ordens para se activar o recrutamento--para se promoverem donativos de
milhos, palhas, salitres, polvora, armas, petrechos de guerra, e
cavallos; e para se enviar o mais que se necessitava para que nos
depositos houvesse sufficiente poro de tudo o que fosse indispensavel
para se prolongar a resistencia nacional. No se pde escrever, como o
deve ser, a historia da revoluo, e da administrao da Junta, sem se
lr e examinar os copiadores das diversas reparties, e do commando em
chefe, e muitos outros documentos importantes que nos foram confiados.

O Snr. Passos Jos, como encarregado dos negocios estrangeiros, procurou
manter as relaes d'amizade com as naes alliadas, e sustentar a todo
o custo a honra, dignidade, e independencia nacional--e no dar
pretextos para que os gabinetes estrangeiros se intromettessem em nossos
negocios.

No desempenho desta repartio, especialmente depois do aprisionamento
da esquadra, foi o Snr. Jos Passos poderosamente coadjuvado pelos seus
illustres collegas, e pelos distinctissimos patriotas os Snrs. Manoel da
Silva Passos, Joaquim Antonio d'Aguiar, Marquez de Loul, Manoel de
Castro Pereira, Antonio Augusto Teixeira de Vasconcellos, Alvaro das
Povoas, Jos da Costa Sousa Pinto Basto, Augusto Ferreira Pinto Basto,
Jos Pedro de Barros Lima, Dr. Rezende, Damazio, Cunha Vasconcellos,
Bernardino Coelho Soares de Moura, General Guedes, Baro do Almargem,
Alheira, Rebocho, Jos de Vasconcellos, Antonio Cesar, Abreu Castello
Branco, Fevereiro, Parada, e alguns outros que a Junta julgou
conveniente chamar aos seus conselhos e conferencias, ou encarregar
d'alguma commisso, ou da redaco d'alguns papeis; porque os desejos de
todos os membros da Junta nunca foram outros seno desempenhar com
acerto, e  satisfao de todos, a misso de que fra incumbida, e fazer
a felicidade da nao.

As respostas s notas dos agentes dos governos estrangeiros eram
examinadas, discutidas, e approvadas pela Junta, e por os cavalheiros
que ella julgava necessario ouvir.

 publico que o manifesto de 8 de Dezembro de 1846, e o protesto de 1 de
Junho de 1847, foram redigidos pelo Snr. Manoel da Silva Passos, mas
discutidos, emendados, e approvados pela Junta, por o seu author, e mais
cavalheiros que assistiram s respectivas sesses.

O Snr. Jos Passos votou contra a concesso do armisticio--pela sahida
da expedio, commandada pelo General em Chefe Conde das Antas; e pela
no acceitao dos quatro artigos do protocolo na sesso de 5 de Junho
de 1847. Erro ou acerto, todos os homens de bem lhe fazem a justia de
que votou assim, porque a sua convico era que nisso servia a revoluo
e o seu paiz.

Averiguamos que pelas reparties a cargo do Snr. Jos Passos no se
expediram portarias sobre objectos da competencia da Junta, sem serem
ordenadas por ella, e assignadas pela totalidade ou maioria dos membros
que faziam vencimento para se ellas passarem. As portarias de
expediente, e as que versavam sobre objectos pouco importantes, eram
assignadas s pelo encarregado da repartio competente. O mesmo se
poder affirmar a respeito das outras reparties.

Todas as vezes que o Casal, Saldanha, e Hespanhoes se aproximavam das
linhas, vimos os Snrs. Passos Manoel, e Passos Jos, apparecerem entre
os primeiros nas trincheiras e lugares do fogo, como tambem o faziam os
outros membros da Junta, e o povo Portuense, para quem um dia de fogo,
ou aproximao d'inimigo, era um dia de festa.--Tambem os encontramos a
rondar muitas vezes a cidade.

Entre os actos da Junta, dignos dos mais subidos louvores, merece
mencionar-se a submisso dos realistas  bandeira nacional arvorada no
Porto no famoso dia 9 d'Outubro de 1846. Para se elle conseguir
prestaram valiosos servios os Snrs. Povoas, Cesar de Vasconcellos,
Bernardino, Marquez de Loul, Guedes, Passos Manoel, S da Bandeira,
Alvo Brando, Abreu Castello Branco, Antonio Augusto, Visconde d'Azenha,
Sebastio de Carapos, Manoel Vaz Pinto Guedes Bacellar, Dr. Joo Alves
de Moura, Lemos de Condeixa, Faria Pinto, Chichorro, Garrido, Rebocho,
Pato, Teixeira, Coelho de Mello e Mesquita, Pinto da Cunha, e tantos
outros cavalheiros patriotas, e officiaes, cujos nomes muito sentimos
aqui no publicar.

No houve nada de transaccional da parte da Junta com os realistas alm
da portaria assignada pelo Snr. Seabra, impressa nos jornaes da poca, e
no opusculo do Snr. Antonio Augusto Teixeira de Vasconcellos==Succinta
narrao das circumstancias que precederam e seguiram a unio dos
realistas insurgentes com a Junta do Porto.==

Abstemos-nos de fallar das operaes militares, e dos valiosos servios
dos generaes, officiaes, soldados, voluntarios, e guardas
nacionaes--porque esse objecto ter o seu lugar nos apontamentos
biographicos do benemerito General em Chefe do Exercito Nacional, e mui
desinteressado patriota o Snr. Conde das Antas, cuja dedicao,
lealdade, e servios  causa popular, no podem esquecer aos bons
patriotas.

A Junta merece muitos elogios pelas acertadas medidas que adoptou para
se fazer o desarmamento do exercito nacional. Diz-se que ella insistira
em que o exercito passasse todo armado para a obediencia das
authoridades da Rainha. Se assim se tivesse feito, muito lucraria o
Estado. O desarmamento depois da conveno de Gramido,  um dos actos
que mais honra o partido progressista, o exercito, e o povo do Porto.

Mereceriamos grande censura se no mencionassemos aqui, que os
brilhantes e eloquentissimos discursos do Snr. Passos Manoel, e os mui
bem pensados do Exc.^mo Snr. Alvaro Xavier da Fonseca Coutinho e Povoas,
e do Snr. Horta &c., proferidos nos conselhos militares que tiveram
lugar na Casa Pia, muito contribuiram para esta brilhantissima pagina da
historia do partido nacional.

A Junta fez os maiores esforos, para que os alliados, ou o governo de
Lisboa provissem s despezas indispensaveis para se recolherem a suas
casas os heroicos defensores da mais nobre causa, mas nada pde
alcanar. A sua sollicitude foi ainda mais longe--nomeou uma commisso
de pessoas respeitabilissimas para promover uma subscripo para
subministrar alguma quantia para as despezas da jornada dos mesmos
patriotas; mas pela entrada das tropas hespanholas, e posse das
authoridades do governo de Lisboa, no se levaram ao cabo as beneficas
intenes da Junta.

A Junta em quanto tivesse dinheiro, polvora, e viveres, devia prolongar
a resistencia, e nunca deixar reserva de dinheiro para o desfecho. Ella
cedeu; porque em identicas circumstancias o faria qualquer guarnio
n'uma praa de guerra.

Mas de que valia ter procurado soccorros para a viagem dos patriotas, se
os nobres defensores da liberdade ainda tinham de passar pelo que
soffreram na Raza, e outros pontos!!!!....

O Snr. Jos Passos tem, como todos os humanos, alguns defeitos, que so
compensados por muitas virtudes, por o mais desinteressado, puro, e
illustrado patriotismo--por uma sincera adheso s instituies
democraticas--por uma generosidade, tolerancia, e humanidade, superiores
a todo o elogio.

O empenho que ho mostrado os cabralistas para se desfazerem do Snr.
Passos Jos, deshonra sobremaneira esse partido, que nunca encontrou no
Snr. Passos seno tolerancia, generosidade, e justia.

Escrevemos a verdade--nenhum outro motivo nos levou a publicar estes
apontamentos biographicos seno o desejo de fazermos a justia devida a
um cidado de incontestavel merecimento, e de relevantissimos servios 
causa do progresso. Pagamos assim o nosso fraco tributo  mais antiga,
mais sincera, e mais desinteressada amizade.

Se publicarmos os apontamentos relativos aos outros membros da Junta,
teremos occasio de fallar tambem de muitos outros benemeritos que se
distinguiram durante a ultima guerra civil; e quando triumphar a causa
do partido nacional, nem por isso hiremos incommodar as notabilidades
progressistas a quem tambem tributamos a maior considerao e estima.
Contentamos-nos com a nossa sorte==em ser o que somos==

                                                           _A. Sydney._






End of the Project Gutenberg EBook of Apontamentos para a Biographia do
Cidado Jos da Silva Passos, by Manuel Joaquim Pereira da Silva

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both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael
Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark.  Contact the
Foundation as set forth in Section 3 below.

1.F.

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effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread
public domain works in creating the Project Gutenberg-tm
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that arise directly or indirectly from any of the following which you do
or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.


Section  2.  Information about the Mission of Project Gutenberg-tm

Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
electronic works in formats readable by the widest variety of computers
including obsolete, old, middle-aged and new computers.  It exists
because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
people in all walks of life.

Volunteers and financial support to provide volunteers with the
assistance they need, are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
remain freely available for generations to come.  In 2001, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.


Section 3.  Information about the Project Gutenberg Literary Archive
Foundation

The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
Revenue Service.  The Foundation's EIN or federal tax identification
number is 64-6221541.  Its 501(c)(3) letter is posted at
http://pglaf.org/fundraising.  Contributions to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
permitted by U.S. federal laws and your state's laws.

The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
throughout numerous locations.  Its business office is located at
809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
business@pglaf.org.  Email contact links and up to date contact
information can be found at the Foundation's web site and official
page at http://pglaf.org

For additional contact information:
     Dr. Gregory B. Newby
     Chief Executive and Director
     gbnewby@pglaf.org


Section 4.  Information about Donations to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation

Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
spread public support and donations to carry out its mission of
increasing the number of public domain and licensed works that can be
freely distributed in machine readable form accessible by the widest
array of equipment including outdated equipment.  Many small donations
($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
status with the IRS.

The Foundation is committed to complying with the laws regulating
charities and charitable donations in all 50 states of the United
States.  Compliance requirements are not uniform and it takes a
considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
with these requirements.  We do not solicit donations in locations
where we have not received written confirmation of compliance.  To
SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
particular state visit http://pglaf.org

While we cannot and do not solicit contributions from states where we
have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
against accepting unsolicited donations from donors in such states who
approach us with offers to donate.

International donations are gratefully accepted, but we cannot make
any statements concerning tax treatment of donations received from
outside the United States.  U.S. laws alone swamp our small staff.

Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
methods and addresses.  Donations are accepted in a number of other
ways including checks, online payments and credit card donations.
To donate, please visit: http://pglaf.org/donate


Section 5.  General Information About Project Gutenberg-tm electronic
works.

Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
concept of a library of electronic works that could be freely shared
with anyone.  For thirty years, he produced and distributed Project
Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.


Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
unless a copyright notice is included.  Thus, we do not necessarily
keep eBooks in compliance with any particular paper edition.


Most people start at our Web site which has the main PG search facility:

     http://www.gutenberg.org

This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
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